delírios em palavras



sexta-feira, 9 de abril de 2010

nem nós sabemos

É diferente. Quando nos olhamos, é diferente. Do nada me perco e me acho olhando pra ti, pro teu jeito, pras tuas milhares de formas de dizer alguma coisa. É diferente porque esse contato inicial eu nunca tinha tido. Esse momento real de descoberta diária, nunca aconteceu comigo. A gente se olha, a gente ri, e algo mexe comigo. Mexe a ponto de te esperar de segunda a segunda, a ponto de ter vontade ao acordar cedo, a ponto de me preocupar com as tuas obrigações sempre inacabadas. Rio do nada, rio de ti, rio da gente, rio simplesmente por te ter do meu lado. Eu sempre distraída, sempre longe, sempre atenta, nem percebo quando pára me observando, quando quer falar, mas nosso silencio corresponde a muito mais, quando sorrimos e traduzimos coisas que nem sabemos se estão acontecendo. Ninguém percebeu, inclusive tu também não. Talvez nem mesmo eu tenha percebido e nego qualquer tipo de interesse. A aproximação foi espontânea e em pouco tempo ficamos dependentes. Implicamos, brigamos, nos abraçamos. Pouco a pouco o contato se torna essencial, não conseguimos mais ficar separados, nossos pés não permanecem mais afastados, assim como tua mão não larga minha caneta, sempre desenhando qualquer coisa abstrata. Ou então quando seguro teu braço para dizer alguma coisa, quando te empurro se diz alguma besteira, quando ri dos meus erros idiotas ou quando mexe no meu cabelo enquanto durmo. Nossa alegria e inspirarão é unica, há tempos não me sentia tão bem. A simplicidade nos move, não consigo imaginar qualquer tipo de futuro, tu me faz querer o presente e nada além disso. É o que motiva meus dias antes tão estressantes, agora tão agradáveis. É o que faz aquelas 5 horas passarem como 5 minutos. É o que me faz não me importar com os problemas e agir de acordo com o que me faz bem. E no momento é tu quem me faz sobreviver a minha rotina, é tu que ta despertando um lado que eu achava que tivesse perdido. Talvez até tivesse perdido, mas agora o encontrei em ti.

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