delírios em palavras



sábado, 17 de abril de 2010

Ironia seria dizer que tudo o que a gente passou é normal e digno de compreenção, dizer que tudo se encaixa perfeitamente e que seguimos em uma linha. Não é assim, nunca foi.
Eu sempre perdida nas palavras ditas e tu nos pensamentos não admitidos. Eu sempre me despedindo, me desfazendo e voltando. Vou sempre me despedir e voltar, já virou hábito, me despeço pra voltar mais forte, mais intensa. Quando não te vejo, te pressinto. Quando não te escrevo, te leio, dentro de todos os sinais e caligrafias que me mostras quando estou contigo.
Tudo faz sentido, tudo tem um significado escondido, uma metáfora que não foi decifrada, talvez isso explique o motivo de eu pensar tanto. Minha insônia não muda a claridade. De claridade nos basta o sol, o resto vamos levando por sombras, entre luas e estrelas.
O que mais me impressiona é que a simplicidade sempre acaba movendo tudo. Transforma detalhes em histórias, vírgulas em exclamações. Qualquer coisa é motivo para desentendimento, qualquer desculpa é aceita para poder voltar. Antes nos considerava opostos por inteiro, hoje percebo que somos às vezes idênticos. Mas não são nossas diferenças que nos unem, nem tampouco nossas semelhanças. Nossas dúvidas até nos atraem, mas o que nos prende de verdade é, com certeza, a falta de explicação.
E quando se fala em explicação, falo de todos os casos e sentidos. Palavras não explicam o jeito que nos conhecemos, não explicam a nossa contrariedade por implicância e a nossa concordância por nossos princípios, sempre considerados os mais nobres. Palavras não explicam o nervosismo ao te ver em setembro, a vergonha em te ver em outubro, a felicidade em te ver no verão, a falta de explicação ao te ver agora. Faltam palavras pra explicar, sobram pra sustentar a explicação. É por isso que nos entendemos absolutamente. Quanto mais confusos, mais intensos.
Poderia tentar explicar o tempo, o teu maior aliado, o meu melhor inimigo. Mas o tempo é tão complicado quanto nós, às vezes rápido, às vezes devagar, de repente até pára. Simples pra ti, impossível pra mim. Nunca sei quando foi tempo suficiente. E te admiro por saber.
Te admiro por sempre saber. Saber o que dizer e o que não dizer. Como agir e quando. Admiro a tua amizade e consideração por todos que te cercam. Admiro o teu sorriso constante, mesmo em dias de chuva. Admiro tua tranquilidade diante de problemas. Admiro tu falta de jeito ao olhar. Admiro o teu cuidado com as minhas loucuras. Admiro tua preguiça e teus esforços. Admiro tua paciência com os meus problemas. Admiro tua dificuldade em entender o que eu digo. Admiro tuas desculpas, que nem sempre sinceras. Admiro teus vícios, assim como teus princípios. Admiro tua maturidade e personalidade, independente do que os outros pensem. Admiro teus pontos de vista. Admiro quando consegues me irritar. Admiro quando me surpreendes. Admiro quando faz eu me despedir toda vez que brigamos e voltar.
E volto sem querer, sem saber, sem entender. Volto por perceber que tudo o que voltou não foi desperdiçado. Talvez agora irá entender o motivo de eu recortar frases, isolar sons e guardar expectativas. Os rascunhos nunca são jogados fora. É a partir deles que se cria a obra, é a partir deles que nasce o amor. É por causa deles que te escrevi em mim e me coloquei nas tuas mãos.

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