O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
delírios em palavras
segunda-feira, 29 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
pague o preço
Não há motivos para se deixar abalar. Não há motivos pra medo do que era previsível. O que importa é não desistir. Sempre se acha razões para continuar, por mais miseráveis que sejam. Enquanto a felicidade existe, não precisa colocá-la em risco. Não tem necessidade de palavras cheias, frases comoventes e inteligentes. Não quero convencer ninguém.
Então continue, sei as consequências de viver uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, o silêncio é um jeito de amar. Mas então não desista por medo, nem por fraqueza, não desista por se achar incapaz, sempre somos capazes. Não vou ficar esperando alguem me salvar, eu me garanto, me salvo sozinha. Eu mesma arranjo minha loucura, sei viver bem.
Se há silêncio, ria. Se não quer conversar, faça mistério. Uma hora o silêncio vai estar acumulado demais.
Não há explicação, siga. Não se precisa entender para saber que o dever é arriscar. Não pense duas vezes, telefone. Não fique envergonhado, admita. Volte atrás, a vida é feita de percepções mesmo que atrasadas.
Se acha que não estou certa, diga olhando pra mim que sou o momento errado na tua vida. Sempre serei o momento errado. Serei o momento errado da tua vida, serei parte dela. Serei tua complicação, o teu erro mais contundente. Serei a vida do teu erro para errar mais seguido.
Se ninguém quer falar nada, não desista. O que mais precisamos é de estranheza para renovar a intimidade. Não há íntimos que não foram estranhos um dia. Então seja estranho e quando achar que foi tempo suficiente, fique louco. Declare-se apaixonado, faça promessas inconscientes, depois ache um jeito de pagar o preço, ache as palavras para se explicar. Ame aos poucos, por empréstimo. Ou então ame devendo. Ame falindo. Mas ame para não criar arrependimentos e culpa de tudo aquilo que não foi feito, tudo aquilo que não considerou digno de atitudes. Seja mais real que a minha dor.
Enquanto isso eu sigo pensando em te largar, criando coragem para ficar. Olhando para os lados nas busca de saída, mas me convencendo que devo olhar para o horizonte. Fechando os olhos com a intenção de esquecer, mas ficando cada vez mais perto de te encontrar outra vez (em um sonho). Esse é o preço de viver uma fantasia. Me ajuda a pagar? De repente nos tornamos verdadeiros e vamos além da imaginação, rumo à realidade.
Não desista.
Então continue, sei as consequências de viver uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, o silêncio é um jeito de amar. Mas então não desista por medo, nem por fraqueza, não desista por se achar incapaz, sempre somos capazes. Não vou ficar esperando alguem me salvar, eu me garanto, me salvo sozinha. Eu mesma arranjo minha loucura, sei viver bem.
Se há silêncio, ria. Se não quer conversar, faça mistério. Uma hora o silêncio vai estar acumulado demais.
Não há explicação, siga. Não se precisa entender para saber que o dever é arriscar. Não pense duas vezes, telefone. Não fique envergonhado, admita. Volte atrás, a vida é feita de percepções mesmo que atrasadas.
Se acha que não estou certa, diga olhando pra mim que sou o momento errado na tua vida. Sempre serei o momento errado. Serei o momento errado da tua vida, serei parte dela. Serei tua complicação, o teu erro mais contundente. Serei a vida do teu erro para errar mais seguido.
Se ninguém quer falar nada, não desista. O que mais precisamos é de estranheza para renovar a intimidade. Não há íntimos que não foram estranhos um dia. Então seja estranho e quando achar que foi tempo suficiente, fique louco. Declare-se apaixonado, faça promessas inconscientes, depois ache um jeito de pagar o preço, ache as palavras para se explicar. Ame aos poucos, por empréstimo. Ou então ame devendo. Ame falindo. Mas ame para não criar arrependimentos e culpa de tudo aquilo que não foi feito, tudo aquilo que não considerou digno de atitudes. Seja mais real que a minha dor.
Enquanto isso eu sigo pensando em te largar, criando coragem para ficar. Olhando para os lados nas busca de saída, mas me convencendo que devo olhar para o horizonte. Fechando os olhos com a intenção de esquecer, mas ficando cada vez mais perto de te encontrar outra vez (em um sonho). Esse é o preço de viver uma fantasia. Me ajuda a pagar? De repente nos tornamos verdadeiros e vamos além da imaginação, rumo à realidade.
Não desista.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Não espere
Não espere porque o tempo passa. E passa tão rápido que não se percebe o quanto esperamos por coisas que não aconteceram e nem poderão acontecer. Não espere, porque quando a hora chegar, o encanto não será o mesmo, a vontade estará cansada e o que poderia ser um importante acontecimento, não será mais importante, apenas um acontecimento. Acontece e acaba. Acaba porque durante todo esse tempo, a relação vai se desgastanto, a mesmice diária traz tédio, os conflitos repetitivos e as dúvidas que nem lembradas mais são. Então não espere porque no final não vale a pena, nunca vale. Só serve para enxergar o quanto de tempo se perdeu, serve só para ganhar uma lição e se desiludir. No final restam apenas 1 ou 2, para relembrar com saudades. Apenas 1 ou 2 para sentir culpa ou se arrepender. Arrepender por ter esperado tanto, ou simplesmente por não ter agido. Não espere demais dos outros, não espere demais para agir. Quando se encontrarem de novo perceberão que esperavam pela perfeição de tudo. Dê chance à imperfeição. Não espere.
terça-feira, 16 de março de 2010
solidão abstrata
As pessoas seguem suas vidas, passam o sinal, sincronizam o tempo. Ninguém percebe nada, ninguém pensa em olhar pros dois lados e enxergar o óbvio. Quem repararia no óbvio quando se tenta ir tão além. Não se chega nem no longe, nem no perto, apenas se vai. Os muros da cidade falam alto, tão alto que não os escutam. Palavras doloridas e insuportáveis que ele não queria ouvir. Ele cansou da violência que ninguém mais via, cansou de sentir o que ninguém nem se quer fingia entender. Ele quis voltar para casa, ficar no seu mundo e esquecer tudo o que um dia poderia ter sido diferente, tudo o que é impossível de mudar. Ele viajou nos seus pensamentos, se impressionou com a capacidade de todos mentirem a mesma mentira e sentirem a mesma indiferença sobre tudo. Ele observou os quadros na parede e descobriu milhares de formas de interpretá-los, observou milhares de fotos e achou todas iguais. Relembrou as vozes, que ou caladas ou repetindo as mesmas frases. Eu ofereci um lugar pra ficar e ele me olhou como se sempre soubesse que eu era de outro mundo, distante demais do que onde ele estava. Então sorriu e traduziu sua esperança diante da vida, com a força de quem sabe que a hora certa vai chegar. Lágrimas no sorriso, 4 paredes, segredos que ele não podia suportar, mas não conseguia contar. Continuou andando pelas mesmas ruas, porém acompanhado. A cidade crescia e tudo ficava cada vez menor, me espantava que as pessoas queriam ir embora de tudo o que elas próprias construíram. Todas iguais e tão desiguais, umas mais que as outras. Com toda essa hiprocrisia, ele me pediu pra ir em frente e não largar os meus princípios, mas não me avisou que ele iria ficar pra trás. Então fui sozinha e entendi que a vida não é um jogo de palavras cruzadas onde tudo se encaixa o tempo todo. O que será que ele quis dizer com tantas palavras mudas? Ele foi embora, mas sabia que no dia seguinte iria voltar. Enquanto isso fui indo, entendendo os objetivos do jogo, procurando as razões da vida, encontrando diferenças em tudo o que via. Cheguei até a pensar que fosse liberdade. Engano meu, solidão.
segunda-feira, 15 de março de 2010
As nuvens andavam pelo céu, chovia. O sol demorou a vir. Só não demorou tanto quanto a chegada dos pensamentos mais óbvios em mim. Não adianta manter-se quieta, não há motivo para ficar em silêncio, não quero me esconder, nem ao menos fugir. Não importa o que os outros digam ou pensem, eles nem sabem o que eu sinto, eles nem sabem o que me faz feliz[...]
domingo, 14 de março de 2010
mude hoje
Abrir a janela pra deixar o sol entrar, já ajuda. Ou de repente deixá-la aberta durante a noite pra bater vento. Comprar algumas flores ou qualquer outro sinônimo de alegria. Ler algum livro ou até mesmo uma revista sobre moda. Cortar o cabelo, mudar o visual. Sair a pé, sem nenhuma direção, com o objetivo de encontrá-la. Olhar o sol nascer, olhar o sol se pôr, olhar a lua e as estrelas caso seja tarde. Respirar, concentrar-se no ar que entra e sai de dentro do corpo, não pensar em mais nada. Ouvir uma música nova ou então não ouvir nada. Beber água, água é saudável, água faz bem. Andar de bicicleta, se não tiver, andar com os pés descalços. Na beira da praia, na praça ou até mesmo no asfalto. Com os amigos se quiser, mas preferencialmente sozinho. Separar um tempo pra si, pra conversar sozinho, pra se entender. Se chover, se molhar, desfrutar da água que cai do céu. Água é saudável, água faz bem. Ou então assistir os pingos descer pela janela, se isso não for trazer lembranças. Lembranças não serão preciso no momento, vamos inclusive deixá-las de lado. Pensar no futuro também não é o certo, deixa que ele vai chegar por conta própria e de acordo com os caminhos do agora. Falando em caminho, podemos pular as pedras que nele estiverem e parar para observar os animais, a natureza. Carros, pessoas e fumaça também estão incluídos, é preciso de um agito, é preciso de verdade, afinal falo da realidade, não estou em nenhum paraíso, longe disso. Para chegar lá, so mudando de rumos, sacudindo a poeira, trocando a música, se conhecendo. Já que pra mudar, precisamos, antes de conhecer outras pessoas e lugares, conhecer a nós mesmos.
casa enfeitada
Não adianta, é diferente pra quem olha do lado de fora. Sempre é. Quem está dentro de casa, não enxerga a poeira, a sujeira que tudo vai se tornando aos poucos. E quando enxerga, tenta disfarçar. De repente algumas flores, pintar as paredes de outras cores, esconder o pó embaixo do tapete, aplicar vernizes. Os outros não entendem os enfeites, continuam achando tudo horrível, não sabem como se vive em um lugar assim. E ventos fortes chegam, a bagunça aumenta, o incômodo se desenvolve. Tenta-se de todas as formas apenas mudar, não se pensa na possibilidade de ir para outro lugar, mesmo até que esse outro seja melhor. Acredita-se que vale a pena investir, tentar arrumar, manter o que parecia tão bem assentado e funcionando. Mas há coisas que não dá para disfarçar e tampouco reformar. E quando se percebe, só restam 2 alternativas: ou muda-se para outro lugar ou deixa-se a casa cair. Se insistir-se em permanecer, que não se machuque quando a queda acontecer. Os outros avisaram, afinal, eles viram tudo do lado de fora.
sábado, 13 de março de 2010
zevlat
Uma resposta. Ela pode ser rápida e curta ou pode ser com detalhes e explicações. Pode vim acompanhada de medos e angústias, mas confie em mim, eu entenderei tudo. O que mais me chama atenção é que embora penses, saibas e sintas tanto, não tem forças pra falar. Podia levar pra realidade essa tua segurança que tens por dentro. Sei que o que te interessa são mudanças, mistérios, procura. As coisas não podem ser prontas, não podem ser certas. São as dúvidas que te movem, é o diferente. E apesar de ser tão diferente de ti, não encontras em mim a diferença da qual precisas. Talvez queira algo mais oposto ou não tão diferente assim. Talvez nossas igualdades se afastem e nossas diferenças não nos completem.
fica pra outra hora
Não é o que se pode chamar de uma história original, mas não importa, aconteceu. Ter a esperança de que irá acordar e tudo terá mudado. Mais difícil que mudar é acordar. Estando em planetas diferentes tudo fica complicado, apesar de a distancia nos deixar tão próximos. Posso contar nos dedos as vezes em que nos abraçamos, as vezes em que te senti. Aprendi um outro tipo de afeto, o sem toque. Sei decor todas as vezes que nos vimos, tenho detalhes de cada segundo, de cada olhar. O teu sorriso que disfarça tão bem, que ameniza todo tipo de ódio que eu poderia ter. O sentimento se torna uma agonia, as lágrimas não têm motivo. Porém não há motivo maior do que o de não ter motivo. Inclusive com a gente sempre foi assim, sem motivos, sem explicações. Tantas vezes nos enganamos, tantas vezes pensamos errado. Falo de ti também, que acreditava ler meus pensamentos, fingia entender o que eu sentia. Longe disso. O meu sorriso era só disfarce, nem preciso mais disso. Resolvi demonstrar desinteresse, me impressiono por ter conseguido por tanto tempo. E todas as tuas palavras ficaram pelo avesso, tudo o que eu acreditei veio na contra mão de repente. Com certeza não estás entendendo nada, palavras complicadas demais pra racicínio rápido. E se formos falar em agilidade, não só tempo seria necessário, mas paciência. Então vamos deixar de lado a pressa, pelo menos por agora, ela já me incomodou demais nos ultimos tempos. A não ser que seja pra fugir, mas se for fugir, fuja já. Assim eu poderia me achar de novo, poderia encontrar tudo o que levou de mim. Não adianta, tu não sai, eu sigo. Sigo dizendo que tudo está bem, por que não estaria? Dizendo que o calor do sol é suficiente, ou há algo que seja mais quente? Dizendo que é indiferente, que já foi, já até esqueci. Se eu disse que esqueci, não acredite, é mentira, nunca esqueço. Posso não pensar, não lembrar, mas longe de esquecer. Mesmo assim, não duvides de mim, tão pouco da minha capacidade de resolver inesperadamente. E inesperadamente acontece o acaso, o único que nos une. Se ele não age, continuamos parados. E saiba que ficar parado é mais difícil do que ir ou voltar. Tão ingênuos que são meus pensamentos, que escolho o impossível. Confio mais no acaso do que em ti. Ao menos ele age, nem que seja raramente. E assim nos encontramos e fazemos com que cada segundo seja único (afinal realmente é). Com um sorriso disfarçado, um olhar que fala mais do que tudo que eu já falei, do que tudo que deixastes de falar por medo ou qualquer coisa. Medo nem tenho mais, o que poderia acontecer de diferente? Já passamos por tudo: já decorei teus passos, aceitei tuas falhas, entendi tudo aquilo que não queres, descobri o teu sorriso. Só me falta ler teus olhos. Isso fica pra outra hora, não é assim que sempre acabamos, adiando?
segunda-feira, 1 de março de 2010
Se sair, feche a porta
Quando já se esperou demais por uma decisão ou atitude e nada se resolve, precisamos inventar algum modo de resolver, mesmo colocando tudo em riscos. Mesmo que os riscos tragam tudo o que não se quer ouvir. Estamos conscientes, só queremos a verdade, nada além disso, é pedir muito? Para isso teremos que superar nossas certezas, tudo aquilo que achávamos que tínhamos, mas sempre esteve fora de alcance, tudo o que achávamos que enxergávamos, mas era só imaginação.
Então juntamos essa agonia, com uma coragem impulsiva e escolhemos dar um ultimato, um 'agora ou nunca', acreditamos no poder da pressa. Mas a pressa é tão grande, que não há tempo de nada, não há tempo de pensar, de explicar, de decidir. A ânsia de resolver o que ainda não se tem certeza traz nervosismo. Todo o tempo que se tinha antes, com muita calma, de uma hora pra outra foi acabado, e nesse momento tudo tem que tomar um rumo. A impaciência não permite mais promessas, ela impõe uma pressão muito forte. Tão forte que não dá nem tempo para pedir mais tempo.
E saber que em minutos, o que antes era uma vida, pode simplesmente acabar. Acabar porque pela pressão do momento, não houve chances para se dar conta, para medir as conseqüências. Se sair, feche a porta, não volte mais, apenas vá.
Descobrir que tudo o que se acreditava, era um jogo, uma mentira. Transformar um abraço em um empurrão. Ter de assumir o poder de acabar com tudo, de tomar a atitude tão esperada, de falar as palavras que sempre foram evitadas. Ter de falar tudo, mesmo sem querer.
Se sair, feche a porta. Entendi que pra ti tinha outro significado.
Se sair, feche a porta. Já me responsabilizei por muitas coisas, o teu arrependimento não estará incluído.
Se sair, feche a porta. Não pretendo esperar mais.
Se sair, feche a porta. Por favor, não me peça para dar mais motivos.
Se sair, feche a porta. Descobri que tudo foi longe de mais.
Se sair, feche a porta. Não suporto mais ter que fingir que acredito em suas desculpas, na esperança de um dia elas serem reais.
Se sair, feche a porta. Se a intenção era não machucar, a mesma não teve sucesso.
Se sair, feche a porta. Se escolher assim, não volte mais.
E então acabamos com tudo com essa frase. Toda a consideração, a amizade que se conservou por tanto tempo, é destruída com algumas palavras. A frase transformou, mudou, nada será igual. A partir de agora, o caminho é escolhido. Certo ou não, foi essa a decisão. O ultimato revela o interesse único. O ultimato mostra que não há mais palavras, tudo já foi dito. Só resta ir embora.
Quando sair, me leve contigo. Assim fecharemos a porta pra tudo o que não aconteceu e abriremos o nosso caminho. Quando sair, apenas me leve contigo.
Então juntamos essa agonia, com uma coragem impulsiva e escolhemos dar um ultimato, um 'agora ou nunca', acreditamos no poder da pressa. Mas a pressa é tão grande, que não há tempo de nada, não há tempo de pensar, de explicar, de decidir. A ânsia de resolver o que ainda não se tem certeza traz nervosismo. Todo o tempo que se tinha antes, com muita calma, de uma hora pra outra foi acabado, e nesse momento tudo tem que tomar um rumo. A impaciência não permite mais promessas, ela impõe uma pressão muito forte. Tão forte que não dá nem tempo para pedir mais tempo.
E saber que em minutos, o que antes era uma vida, pode simplesmente acabar. Acabar porque pela pressão do momento, não houve chances para se dar conta, para medir as conseqüências. Se sair, feche a porta, não volte mais, apenas vá.
Descobrir que tudo o que se acreditava, era um jogo, uma mentira. Transformar um abraço em um empurrão. Ter de assumir o poder de acabar com tudo, de tomar a atitude tão esperada, de falar as palavras que sempre foram evitadas. Ter de falar tudo, mesmo sem querer.
Se sair, feche a porta. Entendi que pra ti tinha outro significado.
Se sair, feche a porta. Já me responsabilizei por muitas coisas, o teu arrependimento não estará incluído.
Se sair, feche a porta. Não pretendo esperar mais.
Se sair, feche a porta. Por favor, não me peça para dar mais motivos.
Se sair, feche a porta. Descobri que tudo foi longe de mais.
Se sair, feche a porta. Não suporto mais ter que fingir que acredito em suas desculpas, na esperança de um dia elas serem reais.
Se sair, feche a porta. Se a intenção era não machucar, a mesma não teve sucesso.
Se sair, feche a porta. Se escolher assim, não volte mais.
E então acabamos com tudo com essa frase. Toda a consideração, a amizade que se conservou por tanto tempo, é destruída com algumas palavras. A frase transformou, mudou, nada será igual. A partir de agora, o caminho é escolhido. Certo ou não, foi essa a decisão. O ultimato revela o interesse único. O ultimato mostra que não há mais palavras, tudo já foi dito. Só resta ir embora.
Quando sair, me leve contigo. Assim fecharemos a porta pra tudo o que não aconteceu e abriremos o nosso caminho. Quando sair, apenas me leve contigo.
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