delírios em palavras



sábado, 13 de março de 2010

fica pra outra hora

Não é o que se pode chamar de uma história original, mas não importa, aconteceu. Ter a esperança de que irá acordar e tudo terá mudado. Mais difícil que mudar é acordar. Estando em planetas diferentes tudo fica complicado, apesar de a distancia nos deixar tão próximos. Posso contar nos dedos as vezes em que nos abraçamos, as vezes em que te senti. Aprendi um outro tipo de afeto, o sem toque. Sei decor todas as vezes que nos vimos, tenho detalhes de cada segundo, de cada olhar. O teu sorriso que disfarça tão bem, que ameniza todo tipo de ódio que eu poderia ter. O sentimento se torna uma agonia, as lágrimas não têm motivo. Porém não há motivo maior do que o de não ter motivo. Inclusive com a gente sempre foi assim, sem motivos, sem explicações. Tantas vezes nos enganamos, tantas vezes pensamos errado. Falo de ti também, que acreditava ler meus pensamentos, fingia entender o que eu sentia. Longe disso. O meu sorriso era só disfarce, nem preciso mais disso. Resolvi demonstrar desinteresse, me impressiono por ter conseguido por tanto tempo. E todas as tuas palavras ficaram pelo avesso, tudo o que eu acreditei veio na contra mão de repente. Com certeza não estás entendendo nada, palavras complicadas demais pra racicínio rápido. E se formos falar em agilidade, não só tempo seria necessário, mas paciência. Então vamos deixar de lado a pressa, pelo menos por agora, ela já me incomodou demais nos ultimos tempos. A não ser que seja pra fugir, mas se for fugir, fuja já. Assim eu poderia me achar de novo, poderia encontrar tudo o que levou de mim. Não adianta, tu não sai, eu sigo. Sigo dizendo que tudo está bem, por que não estaria? Dizendo que o calor do sol é suficiente, ou há algo que seja mais quente? Dizendo que é indiferente, que já foi, já até esqueci. Se eu disse que esqueci, não acredite, é mentira, nunca esqueço. Posso não pensar, não lembrar, mas longe de esquecer. Mesmo assim, não duvides de mim, tão pouco da minha capacidade de resolver inesperadamente. E inesperadamente acontece o acaso, o único que nos une. Se ele não age, continuamos parados. E saiba que ficar parado é mais difícil do que ir ou voltar. Tão ingênuos que são meus pensamentos, que escolho o impossível. Confio mais no acaso do que em ti. Ao menos ele age, nem que seja raramente. E assim nos encontramos e fazemos com que cada segundo seja único (afinal realmente é). Com um sorriso disfarçado, um olhar que fala mais do que tudo que eu já falei, do que tudo que deixastes de falar por medo ou qualquer coisa. Medo nem tenho mais, o que poderia acontecer de diferente? Já passamos por tudo: já decorei teus passos, aceitei tuas falhas, entendi tudo aquilo que não queres, descobri o teu sorriso. Só me falta ler teus olhos. Isso fica pra outra hora, não é assim que sempre acabamos, adiando?

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