delírios em palavras



sábado, 10 de julho de 2010

O que seria de nós se não fosse a saudade durante toda a semana? O que seria de nós se não fosse a ansiedade e vontade de viver cada vez mais, como se cada segundo fosse o último. Como faríamos se não tivessemos um tempo limitado, uma saudade agendada, não teríamos a urgência em estar junto, não contaríamos os dias, nem tampouco as horas. Como seríamos se além da confiança tivéssemos a sabedoria e certeza da eternidade, não teríamos o medo de se perder a cada briga por motivos fúteis. Seríamos acostumados, seríamos rotina, seríamos normais. As surpresas seriam esperadas, os toques não gerariam arrepios, as palavras seriam decoradas, um passo-a-passo sem fim. Talvez o amor não acabasse, devido a necessidade e dependência em estar junto, mas não teria mais paixão. Não somos assim. Nos descobrimos diferentes a cada toque, vivemos com a urgência em estar perto, com carinhos variados, frases espontâneas. Nos surpreendemos a cada olhar, a cada risada, a cada silêncio que nossas respirações proporcionam. Nos apegamos, mas nos limitamos, sabendo até onde ir respeitando nossos espaços. As surpresas são inesperadas, nunca sabemos aonde vamos chegar, mas sabemos o caminho a seguir. Assim, apesar de sermos nossas próprias certezas, somos também nossa fuga, nossa paz, nossa liberdade quando estamos juntos.
Não somos só amor, somos mais que isso.

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