delírios em palavras
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
incontrolável
Nunca é tarde, nunca é cedo. O tempo confunde, o tempo enlouquece. Nunca sabemos o que é tempo suficiente. Pra mim o muito é pouco, o perto é longe, o cedo é tarde. Minha ansiedade me comanda, me faz agir por impulso, nem preciso pensar. Assim penso demais, penso sempre, nunca paro. Mas é tarde, já foi, nada vai mudar. Por isso falo, falo tudo, não tenho habilidade de controle. Sem noção do perigo, sem medo das consequências. Não preciso de provas, não preciso de sinais, não preciso de oportunidades. Quando dá vontade, ela é ilimitada, impossível guardar. Admiro aqueles que conseguem se contentar consigo mesmo, que mantém o que é seu somente pra si. Não sou assim, preciso dividir, preciso compartilhar minha alegria, meu sofrimento, minhas dúvidas. O fácil me enjooa, sempre preciso de mais. O diferente me atrai e se faz suficiente . Suficiente principalmente pra assumir tudo o que eu tenho de mais incontrolável. Os segundos pra mim custam a passar, apesar de fazerem toda a diferença em todos os meus atos. Em segundos tudo muda, nada mais volta. Segundos é o tempo das minhas decisões e escolhas. Segundos eu levo pra odiar, pra me decepcionar, pra errar. Segundos é o bastante pra eu me apaixonar. Faço tudo, me arrependo. Penso no erro, erro de novo. Não canso de errar. Pode ser burrice, quanta gente tentou me corrigir, concluo que sou incorrigível. Mas nada adianta, quero a vida agora, quero viver tudo. Tenho pressa, tenho fome, o sono passa logo. Só não posso ficar parada, não espero respostas. Elas simplesmente chegam, mas eu não deixo de viver por elas. Considero a paciência a maior das virtudes, luto muito para obtê-la e mais ainda para mantê-la. Me chamam de louca, de doente, de exagerada, de insatisfeita, de faminta pela vida. Podem me chamar do que quiserem. Mas nunca poderão me chamar de indiferente.
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