Era uma tarde fria. Os raios do sol não eram suficientes para aquecer meu corpo, que apesar de quente, buscava calor por dentro, esperava uma luz. Esperava por ele, que não aparecia, não avisava, não se importava. A sombra da árvore se aproximava, dificultando o encontro do meu corpo com os raios de sol, que agora nem mais quentes, devido ao fato de começar a se esconder. Olhava o relógio, o tempo passava devagar. Minha vontade aumentava, a esperança ia sumindo pouco a pouco, acabando com o pouco que restava de felicidade em mim. A sombra da árvore quase me cobria inteira e eu previa o fim. O escuro iluminou o que o sol escondia. Ele não viria, não havia mais motivos para eu permanecer ali. Algo me fez ficar.
Passei a observar a natureza. Os pássaros, por exemplo, tão rápidos voando, tão tímidos quando perto. Cuidadosos ao escolher apenas um fruto para comer por dias. Num dia escolhem o fruto. No outro, voltam no mesmo para continuar a comê-lo. Não têm a necessidade de acabar com tudo de uma vez. Os pássaros encontram a liberdade em prender-se. Voam para milhares de lugares, mas voltam. Mesma árvore, mesmo fruto. Encontram a felicidade por acaso, não esperam por ela. Os pássaros acompanham, fazem vôos solitários na busca de companhia. Quando o sol some, deixam o fruto tão desejado, vão para o ninho tranqüilos. Tranqüilos porque sabem que no próximo dia ele vai estar ali. Eles não esperam, eles simplesmente sabem.
No dia seguinte voltei. Mesmo com tantos desencontros, tinha esperança de que a hora certa ia chegar. Com os olhos ainda trêmulos e úmidos, me sentia bem, o calor do sol era forte demais para me deixar sentir frio. Vi ele de longe. O sentimento mais indescritível tomou conta de mim. O meu sorriso traduziu o que era felicidade. Os olhos dele, o significado de esperança. Nos abraçamos e, presa, me senti completamente livre.
Aprendi que o tempo é relativo, as coisas não acontecem por acaso, o tempo de espera não foi perdido. Foi nele que eu percebi que em todo o tempo há tempo para acontecer.
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