É estranho falar do que
passou, do que não é mais. Estranho relembrar aquela confusão de sentimentos e
pensamentos que vinham como uma onda e me afogavam ainda mais dentro do que um
dia eu nem sabia o nome. Aquele labirinto que me prendia e te sufocava em uma
história que a gente nem sabia se era nossa mesmo. Em uma história que talvez não
acontecesse não fosse nós com tamanha insistência diante da vida e do destino
que almejava nos distanciar. Tu com dúzias de palavras não pronunciadas, quieto
em um silêncio que me inquietava; e eu com palavras que já nem cabiam dentro de
mim, transbordadas, jogadas contra ti, na esperança que tu fosses devolvê-las.
Eu com um desejo insaciável por viver e tu com a tranquilidade de quem já viveu
tantas vezes. Depois de tanto implorar à
vida para que pudéssemos enfim ter o fim ou começo que tanto esperávamos, tivemos
a chance de provar, comprovar e aprovar o script que criamos. Eu que acreditava
no acaso, queria que o nosso caso fosse diferente e possível de acontecer sob
medidas. E quando três anos se passam, conseguimos nos dar conta que não somos
mais aqueles perdidos que se perdiam diariamente em cada palavra não dita ou em
cada sentimento escapado. Mudamos tanto que não somos mais aqueles pelos quais
nos apaixonamos uma vez. Na verdade
somos aquilo que o nosso amor nos fez ser para que conseguíssemos encaixar
nossas vidas, diante das minhas medidas e dos teus critérios, que agora estão
em tudo o que chamamos de nosso. Hoje sabemos que quando se quer amar, basta um
amor para recomeçar todos os dias.
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